"Ver o rosto com manchas, pelos que nasceram do nada ou as mãos cheias de cicatrizes e bolhas mexe profundamente com a nossa vaidade e amor-próprio. Tem fases em que dá vontade de se esconder do mundo. Como vocês trabalham a autoestima de vocês nos períodos de crise estética? O que ajuda vocês a lembrarem que vocês são muito mais do que a sua pele?"
Esse impacto na autoestima é muito real e merece ser acolhido com a mesma importância que qualquer outro sintoma. As mudanças na pele, as cicatrizes e as marcas visíveis muitas vezes vão além do físico elas mexem com a forma como nos reconhecemos e nos apresentamos para o outro.
Como enfermeira, vejo que em períodos de crise estética é comum surgir vontade de se isolar, evitar espelho ou contato social. E isso não é vaidade superficial é sobre identidade, pertencimento e amor-próprio.
Trabalhar essa autoestima é um processo, e nem sempre é linear. Algumas estratégias que costumam ajudar:
Ampliar o olhar sobre si:
lembrar, mesmo que aos poucos, que você não se resume à sua pele você é história, vínculos, conquistas, afetos.
Respeitar os dias difíceis:
tem dias em que olhar no espelho dói mais e tudo bem recuar um pouco nesses momentos, sem se cobrar “aceitação imediata”.
Cuidar de si dentro do possível:
pequenos gestos de autocuidado (mesmo simples) ajudam a recuperar a sensação de controle e carinho consigo mesmo.
Adaptar e não abandonar a vaidade:
escolher roupas, acessórios ou formas de se expressar que façam você se sentir bem, mesmo nas fases mais difíceis.
Evitar o isolamento total:
mesmo com vontade de se esconder, manter ao menos um contato seguro ajuda a não se desconectar completamente.
Trabalhar o diálogo interno:
tentar perceber quando o pensamento está sendo muito duro consigo e, aos poucos, trazer mais gentileza.
Também vejo que, com o tempo, muitos pacientes constroem uma relação diferente com o próprio corpo não necessariamente de “amar tudo o tempo todo”, mas de respeito e reconhecimento pela capacidade de continuar seguindo, mesmo com as marcas.
E algo que sempre me marca na prática: essas cicatrizes, que muitas vezes são vistas como motivo de vergonha, também são sinais de tudo o que já foi enfrentado.
Você é muito maior do que qualquer manifestação física da doença. E, mesmo nos dias em que isso parece distante, essa realidade continua existindo em você